01/08/2014

[Resenha] Nosferatu - Joe Hill

Nosferatu
Joe Hill 
Tradução por Fernanda Abreu
Editora Arqueiro (cortesia)
624 páginas 
Victoria Mcqueen pode ir para vários mundos e encontrar coisas perdidas. Como ela consegue isso? Com uma bicicleta e uma ponte. Mas isso é um segredo que ela guarda, pois ninguém acreditaria. Em um dia de raiva ela sai em busca de encrenca e encontra Charlie Manx, um ser que leva crianças para a Terra do Natal e as transforma para sempre. Victoria consegue escapar das mãos do terrível homem, mas será que sua vida está a salvo? Parece que não, pois Charlie quer vingança!  


Minha primeira experiência com Joe Hill foi em A Estrada da Noite. Achei o livro bacana, só. Não posso sair por aí elogiando o cara e dizer que ele possui a veia artística de seu pai, Stephen King, porque nunca li nada do mesmo. Em Nosferatu, Joe criou o que se consolidou como sua obra-prima e realmente é digna de tanto falatório. O cara sabe escrever e entreter.

Primeiro, eu preciso comentar o quão incrível é o título da obra. Nosferatu é uma palavra romênica para definir vampiro, não é algo que estejamos muito acostumados, mas saiba que a palavra é presente em vários livros clássicos. Inclusive, há um filme com este título. O mais legal de tudo é a brincadeira que o autor faz com a placa do Rolls-Royce, que é o título original do livro. NOS4A2, lê-se NOS four A two. Incrível, não é. Para quem cursa tradução deve adivinhar o por quê de eu ficar encantado com tudo isto.

A obra de Hill é bem apresentada pelos seus personagens. De um lado temos Vic, que acompanhamos desde pequena até sua vida adulta. Ela é uma personagem agradável, corajosa e repleta de determinação. Ela é muito sensata e firme em suas atitudes. É fácil se apegar a ela. Do outro lado temos Charlie, que é um terrível vilão, daqueles bem psicopatas e doentios. Mesmo cometendo crimes e coisas terríveis, Charlie consegue agradar o leitor. No final, é impossível não gostar dos dois.

A escrita do autor é bem descritiva e isso passa a ser uma coisa boa já que ele conta com detalhes as situações mais inusitadas e assustadoras. Por mais que o horror demore um pouco para aparecer no começo da história, quando ele aparece se torna completamente presente na trama. Muitas mortes, sangue e suspense é o que você pode encontrar neste livro. 

A leitura é rápida graças aos capítulos pequenos e o livro tem como complemento alguns desenhos que fazem da leitura muito mais dinâmica e prazerosa. Joe Hill cria uma trama que empolga e deixa o leitor curioso para desvendar os segredos ali presentes. Através de Nosferatu, o filho de King, pode mostrar ao mundo que realmente sabe trabalhar com o terror. Totalmente recomendado!

[Resenha] Os Três - Sarah Lotz

Os Três
Sarah Lotz
Tradução por Alves Calado
Editora Arqueiro (cortesia)
400 páginas

Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo. Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação. A quarta pessoa é Pamela May Donald, que só vive tempo suficiente para deixar um alerta em seu celular: Eles estão aqui. O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas... Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele... Essa mensagem irá mudar completamente o mundo. 

Os Três faz parte da minha busca por um livro de terror. Afinal, eu já li de tudo, e precisava de algo que me fizesse realmente ficar com um frio na barriga. A história apresentada pela autora é realmente intrigante, mas não dá tanto medo quanto promete. 

A dinâmica que Sarah Lotz escolheu para trabalhar em sua trama é criativa e não muito encontrada em outros livros. A história é apresentada em forma de recortes de entrevistas e matérias que juntas formam uma espécie de compacto a respeito dos Três. Além de dar a impressão que o que estamos lendo é real, a autora também faz com que a leitura flua muito bem, alternando os capítulos entre os personagens e nos deixando com aquele gostinho de quero mais para chegar logo na próxima parte do mesmo. 

Falar sobre cada personagem faria com que esta resenha ficasse gigantesca, pois são muitos. De todas as idades, etnias, cores e religiões, os personagens criados por Sarah são um retrato atual de nossa sociedade, onde ela aborda comportamento, decisões e muito mais. O leitor se apegará a pelo menos um e, com certeza, terá uma ligação, mesmo que indireta, com algumas situações. 

Dividido em Sobreviventes e Conspiração, Lotz consegue contar duas histórias interligadas. Enquanto em Sobreviventes ela trata da vida dos familiares dos Três e o impacto que a sobrevivência deles causou em suas vidas, em alguns momentos assustadoras e em outras felizes, em Conspiração ela apresenta as atitudes de uma comunidade religiosa afetadas pela sobrevivência das crianças. É muito interessante como não importa em que parte você esteja, sempre terá algo de interessante e intrigante para saber. 

A minha única decepção com este livro foi terminá-lo e sentir que ele não cumpriu com seu objetivo principal: Criar um terror que envolva crianças estranhas e gerar um levantamento sobre o por quê de elas serem as únicas sobreviventes de um acidente de um avião. Eu esperava mais capítulos que tratassem desses sobreviventes e acontecimentos estranhos que me tirassem o sono e, principalmente, uma resposta para as minhas perguntas sobre o que são elas e o que levou esses quatro aviões caírem ao mesmo tempo. Lotz talvez tenha respondido isto, mas não deixou tão evidente. 

De qualquer forma, fazia tempo que um livro não me prendia tanto. Eu literalmente devorei Os Três e isso se deve ao fato de Sarah Lotz saber trabalhar muito bem com suas informações e colocá-las de uma maneira que te deixe intrigado para saber mais. Mesmo sem cumprir com o que foi apresentada, a história vale a pena e causa um rebuliço de sentimentos no leitor.
 
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