24/01/2013

[Resenha] Jogador N° 1 - Ernest Cline

Jogador N° 1
Ernest Cline
Editora Leya
464 páginas

Um mundo em jogo, a busca pelo grande prêmio.Você está preparado? O ano é 2044, e o mundo real está numa terrível situação! 

Como a maioria das pessoas, Wade Watts escapa de sua desanimadora realidade passando horas e horas conectado ao Oasis, que é uma utopia virtual que permite a seus usuários ser o que eles quiserem, um lugar onde você pode viver e se apaixonar em qualquer um de seus milhares de planetas.  

E, como a maioria da humanidade, Wade sonha em encontrar o grande prêmio que está escondido nesse mundo virtual. Em algum lugar desse playground gigante, o criador do Oasis escondeu uma série de enigmas que premiará com uma enorme fortuna e um poder muito grande aquele que conseguir desvendá-los.

Durante anos, milhões de pessoas tentaram, sem sucesso, encontrar esse prêmio, sabendo apenas que os enigmas de Halliday se baseiam na cultura pop da época que ele adorava: o fim do século XX. E, durante anos nessa busca, milhões descobriram outra válvula de escape, estudando de modo obsessivo os símbolos de Halliday. Como muitas pessoas, ele discute os detalhes da obra de John Hughes, joga Pac-Man e canta as músicas do Devo enquanto ganha terreno no Oasis, assim encontrando o primeiro desafio.  

De repente, o mundo todo se volta para acompanhar seus passos, e milhares de competidores se unem na busca, entre eles, jogadores poderosos e dispostos a cometer assassinatos para tirar Wade do caminho. Agora, a única maneira de Wade sobreviver e proteger tudo que ele conhece é vencer, mas para isso, talvez tenha que deixar para trás sua perfeita existência virtual e encarar a vida e o amor no mundo real do qual ele sempre fugiu desesperadamente.
"O ser humano é uma porcaria na maior parte do tempo. Os videogames são a única coisa que tornam a vida suportável. Almanaque de Anarok, Capítulo 91, versos 1-2" [Página 19]
Jogador N° 1 tem uma sinopse com um atrativo que me conquista desde a infância: "pessoas em uma realidade virtual". Sempre gostei disto. E com essa capa maravilhosa (por dentro é azul, imaginem minha reação) a expectativa e a leitura foram ótimas.

De início essa história de realidade virtual pode parecer confusa. Eu mesmo não entendi muito bem. Fica aquela dúvida: eles vivenciam aquilo ou estão apenas jogando? Em algumas partes podemos perceber que eles estão apenas logados jogando, mas em outras, é como se eles pudessem serem atingidos. Mas dúvida que não atrapalha a leitura.

Já no prólogo temos a explicação do que acontecerá no decorrer das 400 páginas. Somos apresentados ao momento marcante em que Halliday conta sobre o Easter Egg e a competição, e logo ficamos sabendo pelo protagonista o que acontecerá no final, mas a revelação do desfecho já no ínicio não estraga a leitura, porque a graça do livro é acompanhar o protagonista em sua jornada até o final, vendo por tudo que ele passou e todas as suas ideias.

Wade é um personagem agradável, ele se mostra bastante inteligente, divertido e humilde. Aech, seu amigo, de início pode parecer meio bobo e cabeça-dura, mas também se mostra um personagem cativante. Temos Art3mis, que é o interesse romântico do protagonista. Ela é uma garota forte e a única que conseguiu chegar tão longe na competição, tem sempre um senso de humor ácido e é inteligente. Outros personagens que compõe o time são: Daito e Shoto, sendo esses secundários, mas importantes. E Halliday, o criador do OASIS, que mesmo estando morto é muito bem lembrado na história.

O livro é dividido em três partes que representam três níveis e três chaves, todos muito importantes e ligados entre si para o encontro do Easter Egg.

O enredo é de tirar o fôlego. Há muita ação, aventura, descobertas, sacadas inteligentes, reviravoltas e um romance de leve, apenas para balancear tudo. Aliás, Cline soube muito bem criar uma fórmula de um livro que prende o leitor do início ao fim. Por mais que eu sinta que ele correu muito no final e deixou tudo muito fácil para o protagonista, ele conseguiu fazer uma obra incrível e muito cativante.

Jogador N° 1 tem muitas referências sobre filmes, jogos e música dos anos 80 e conhecer um pouco sobre estes deixa a leitura muito mais divertida. Mas não se preocupe, eu conhecia muito pouco do que foi citado e não me perdi, porque o autor foi muito esperto e inseriu bastante referências e ao mesmo tempo explicações, o que faz a leitura fluir sem nenhum problema. Mas fique sabendo que um computador ligado na página do google pode acompanhar e fazer a leitura divertida e repleta de conhecimento.

No final, podemos perceber que o autor além de criar uma obra maravilhosa, nos mostrando tanta cultura, ação, aventura, suspense e reviravoltas, também faz uma crítica a sociedade: até quando estamos dispostos a abandonar a vida real para passar mais tempo na vida virtual? Parece que isto não está tão longe de acontecer e Ernest mostra que a vida real pode ser muito mais divertida que a virtual. 

"Pensei que, pela primeira em muito tempo, eu não sentia a menor vontade de acessar o OASIS de novo." - [Página 460]

Não tenha dúvida que Jogador N° 1 será uma leitura maravilhosa que fará você virar as páginas avidamente disposto a descobrir cada vez mais sobre este universo criado por Ernest Cline. Está totalmente recomendado.

Um comentário:

Lucas Carvalho disse...

Achei o mundo criado pelo cline fantástico, principalmente suas referências de jogos, músicas e filmes que envolvia os anos 80. Ele deve ter muita informação e ser bastante nerd. A história é cativante e de tirar o fôlego, me surpreendi bastante com o final, e sim, o livro nos trás uma mensagem muito real e importante. Fiquei um tempo pensando que o OASIS é algo muito louco e muito anormal, longe de nossa realidade. Mas pense bem, quantas horas passamos em frente ao computador e as redes sociais? hoje em dia nossa vida se resume ao computador. Colocamos nossas informações, fotos do dia a dia, estamos sempre twittando as coisas que nos cercam e jogando os famosos games de rpg, que hoje em dia é um vício. Nossa realidade já está vivendo em um OASIS, e isso me preocupou muito. Cline foi bastante inteligente em nos transmitir esse "aviso" de forma criativa e surpreendente. Recomendo o livro para todos, uma das minhas melhores leituras de 2012.

 
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